O acesso indevido a conhecimentos sensíveis - aqueles os quais, pela importância e necessidade de proteção, exigem medidas especiais de salvaguarda - sempre foi grande fonte de atenção dos Governos, tendo sido suas técnicas de obtenção, por um lado, e neutralização, por outro, compiladas, organizadas e transformadas, respectivamente, nas Atividades de Inteligência e de ContraInteligência.
Ambas estão presentes em todas as grandes decisões nacionais, seja proporcionando Segurança ao Estado ou fornecendo Competitividade às Empresas. Historicamente de uso restrito aos círculos militares, tendo sido decisivas em todos os grandes conflitos mundiais, já há algum tempo seus conceitos vem sendo empregados por diversas Organizações, preocupadas com o acirramento da concorrência, vazamento ou fuga de informações e defesa de seu patrimônio, seja esse físico, eletrônico ou composto por valores intangíveis tais como a credibilidade, por exemplo.
Sua atual utilização como ferramenta-chave na gestão de negócios, assim, representa uma séria ameaça corporativa, sendo registrados continuamente casos de fraudes internas, concorrência desleal e furto de informações, e até o seu uso, com regularidade, pelo Crime Organizado.
Ambas as disciplinas, faces diferentes de uma mesma moeda, dependem da conscientização de todos os elementos da Organização nos procedimentos definidos para proteção de áreas e instalações, documentos e materiais, pessoas, processos e tecnologias, especialmente sistemas de comunicação e informações, eletrônicos ou não.
Assim, torna-se necessário definir, na Organização, uma Área específica, ligada ao seu mais alto nível decisório, cuja finalidade exclusiva seja desenvolver uma cultura de Produção, Aquisição e Proteção do Conhecimento Proprietário, visando garantir, principalmente, Controle de Ativos e Recursos de Informação, Imagem de Mercado e Conformidade Legal ("Compliance").
Esse Órgão visa centralizar Programas naturalmente dispersos por diversos Departamentos, tais como Segurança (CSO), Segurança da Informação (CISO), Escritório de Risco (CRO), Financeiro (CFO), Auditoria Interna, Qualidade, RH, Marketing, respeitando sempre as decisões de esses profissionais em sua atuação, pois à Área de Inteligência compete coletar, analisar e informar tempestivamente aos Gestores, sem, entretanto, possuir qualquer poder de execução.
Dessa forma, a Inteligência proporciona decisões em negócios no tempo e na manei ra adequados; já a contraInteligência utiliza as medidas ativas e passivas necessárias à proteção das informações de negócios e seus próprios sistemas e processos de coleta de informações para negócios futuros, por meio de sofisticadas técnicas de falsa informação, desinformação e logro.
Em resumo, enquanto Informação custa dinheiro e tempo, Inteligência produz dinheiro e compra tempo.







